Ela acorda às 7h; entra às 08h30 no trabalho. O marido, bem mais cedo, às 04h30, entra às 06h. Café não é problema, ele toma no serviço. O problema é que ele adora dar uma rapidinha antes de levantar. Do tipo: vamos fazer, vai ser bom, não foi?
Aí vai pro banheiro, se troca e vai pro trampo. Ela perde o sono e nem sabe direito o que aconteceu. Não se conforma com isso.Em horário normal, com mais carinho e cuidado, é difícil conseguir algum sexo com ele, mas na madrugada é certeza.
Tentou conversar várias vezes sobre isso, mas, o machista dizia que era direito dele e obrigação dela. Pensou em se separar também mas não ganhava o suficiente para bancar os filhos pequenos sozinha, e, sabia que separada, não poderia contar com a mesma ajuda que recebia do parceiro estando casada.
Pensa se isso é estupro, mas, não consegue chegar a um consenso. As idéias embaralham na sua cabeça. Às vezes acha que ele tem razão, mas, nada disso a impediu de começar a odiá-lo. Claro que não era apenas isso: bebe demais, não conversa direito, esta sempre de mau humor … É bom pai e nada falta à ela e as crianças.
Começou a bolar um plano para aumentar suas finanças e assim poder pedir a separação; mesmo que demorasse algum tempo não teria problema, ela esperaria, era relativamente nova . E, assim, colocou em prática: estudou bastante, passou num concurso público na área da Justica – emprego seguro e bom salário-, começou a fazer uma poupança com dinheiro seu e do que conseguia “pegar” do marido sem ele perceber. Rs.
Quando estava para dar o pulo do gato uma irmã morreu, dias depois foi o cunhado, ambos com Covid, deixando três filhos. Adivinhem a quem coube a guarda das crianças? Aos dois. Ninguém mais tinha condições para isso, e, foi um pedido da irmã. Ela parou, pensou e não teve mais como separar, pois tinha planejado para ela e dois filhos, com mais três… não ia dar. Iria ter que continuar casada.
Continua ainda. Agora com um agravante: o companheiro não consegue mais “levantar o danado”, mas não admite isso: continua tentando, tentando, tentando… aumentando a agonia.
“NADA É PARA SEMPRE, DIZEMOS, MAS HÁ MOMENTOS QUE PARECEM FICAR SUSPENSOS, PAIRANDO SOB O FLUIR INEXORÁVEL DO TEMPO.” JOSÉ SARAMAGO