NEM O LEITE CONDENSADO SALVOU

Lembro que o meu pai sempre que minha mãe ia fazer um doce, olhava os ingredientes e se tinha leite condensado dizia “nada fica ruim com isso, pode ser merda que fica bom”. Ele amava leite condensado, até para comer puro. Quem não gosta né? Eu já conheci pessoas que não gostam de tomate, pipoca e batata frita, mas, nunca, de leite condensado.

Nesses tempos de pandemia, fiquei mais afeita a ir para cozinha. No começo, fiz almoço dias e dias seguidos, mas, depois que vi que essa “onda” não vai passar tão rápido, desisti; faço de vez em quando senão ia me tornar uma profissional da cozinha e não é isso que quero para mim. Rs. Sempre relutei em ser uma empreendedora doméstica. Comecei também a fazer doces e bolos e tô meio devagar também nesse quesito. Animo, desanimo, animo, desanimo, animo… Difícil achar bolo simples bom para comprar, todos tem o mesmo gosto e, quando me enjoo dos gostos deles, faço um aqui em casa.

Depois de levar um “cano” de uma moça que não me entregou uma rosca, resolvi fazer um bolo um dia desses, à noite. Fui no google e achei uma receita simples e fácil, que tinha como uns dos ingrediente o leite condensado mais o creme de leite. Me animei, impossível ficar ruim né? Depois de quase uma hora e meia, entre fazer, assar e esfriar, eis que o resultado não foi tão bom. Ruim não ficou mas bom também não. A minha provadora oficial de bolo, minha cachorra, morreu, então não está mais entre nós para dar sua palavra final, porque, se ela recusava, podia jogar fora que não tinha jeito mesmo.

Fiquei pensando aonde foi que teria errado e, talvez, tenha descoberto: depois de todo trabalho e ingredientes bons, descobri que o fermento químico estava vencido. Pode ter sido isso, pode não ter sido, mas, consegui provar para o meu pai, eu aqui no mundo físico, ele no espiritual, que leite condensado não é o salvador da culinária. Rs.

“NÃO ADIANTA CHORAR SOBRE O BOLO EMBATUMADO. A VIDA É CURTA DEMAIS PARA COLOCAR FERMENTO VENCIDO”.

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Bendita sejam as músicas nossas de cada dia.

As músicas são uma bênção nas nossas vidas né? De repente você tá desanimada, pensativa e aí toca uma música que te faz se sentir viva novamente. Nesses tempos de exaustão e de quase desistência chega a ser uma gota d’água no deserto em que, as vezes, nos encontramos. Aí voltam lembranças, risadas, pessoas, que você pensava que tinha tirado da cabeça. Eu tô viva, eu ainda sinto emoções, eu ainda não virei autômato. Que bom que uma simples música nos traga tanta lembranças e emoções.

Seguimos com a vida,mas, parece que ela vai, por vezes, perdendo a cor. Se não temos um roteiro de obrigações bem definidos, ficamos a deriva, procrastinando, procrastinando… e aí um cantor te lembra que viver é preciso, que seguir adiante é para os fortes e bons. Vamos que vamos.

Tenho um CD (coisa antiga né – rs)  gentilmente gravado pelo meu amado que tem o título de “As músicas da minha vida”, de todos os anos que já vivi ao embalo dessas melodias, que eu adorava ouvir. Tem desde Tim Maia – Leva-,  Herva Doce – Amante Profissional- e, também, uma sertaneja – e olha que não aprecio muito esse gênero-, do Leandro e Leonardo – Não Aprendi Dizer Adeus-. Eita tempinho bom.

Uma música te revive. Eu já amei, sonhei, lutei, chorei, sorri, perdi, recuperei….Posso fazer isso mais vezes ainda. Sempre… sempre…

“A vida tem sons que pra gente ouvir, precisa aprender a começar de novo. É como tocar o mesmo violão e nele compor uma nova canção.” – Roupa Nova

Imagem de Tibor Janosi Mozes por Pixabay
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A BOLHA

A imagem de uma mulher com um megafone falando, falando, falando…. está dentro de uma bolha e essa bolha não foi colocada para dar um destaque a imagem. A bolha sugere como eu vejo que estamos há um longo, longo tempo. Vivemos, respiramos, comemos, dormimos, trabalhamos, contamos piadas, rimos…  fazemos tudo o que as ditas pessoas ditas normais fazem, mas, parecemos meio receosos de tudo. uma frase mal dita ou entendida e olha lá a tragédia que nem sempre é anunciada.
Hoje é tudo racismo, machismo, bullying, indireta, mimimi……… Parabéns para mim que consegui viver parte da minha vida sem ser racista, sem apoiar o machismo, sem sofrer ou fazer bullying, dando algumas indiretas (rs) mas me livrando do mimimi. Que sorte tive. Devo isso à minha mãe. Criando 4 filhas ela sempre destacou que somos fortes e que todos são iguais, não importa o gênero, nem a cor e nem o credo.


O mundo ficou sem graça. Muitas mudanças e muitas discussões estéreis, que estão nos levando para uma solidão bem solitária. Rs. A pandemia só evidenciou tudo isso. No começo era só frases feitas como essa “A pandemia chegou para mostrar-nos que somos todos iguais”. Iguais em que? Quem pode manteve o distanciamento, trabalhou remoto e tinha reservas para momentos difíceis, mas, a maioria… Então restou apenas a frase “Depois dessa pandemia não nos tornamos pessoas melhores, então não teremos aprendido nada na vida”. Pandemia começando a ser controlada e vai se esvaindo toda nossa bondade. É que somos imediatistas, não conseguimos viver a mesma situação catastrófica por muito tempo.

Hoje é tudo racismo, machismo, bullying, indireta, mimimi……… Parabéns para mim que consegui viver parte da minha vida sem ser racista, sem ser machista, sem sofrer ou fazer bullying, dando algumas indiretas (rs) mas me livrando do mimimi.

Vivencio muitas histórias dentro dessa bolha e narrarei algumas neste espaço. Se alguém achá-las interessantes que me acompanhem. Senão que façam seus próprios relatos.


“A arte de viver é simplesmente a arte de conviver… Simplesmente, disse eu? Mas como é difícil” – Mário Quintana

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